O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou a oferta de consultas psicológicas online para o tratamento da dependência em jogos e apostas, com previsão de até 100 mil teleatendimentos mensais. A iniciativa visa oferecer orientação, acompanhamento profissional e suporte a familiares por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
Expansão do serviço após alta procura
O projeto-piloto, iniciado em março em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, oferecia 600 atendimentos mensais, mas a demanda elevada levou o Ministério da Saúde a ampliar o programa e transferir a coordenação para a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Cerca de 20 mil pessoas já haviam se cadastrado para o serviço no piloto e estão sendo migradas para a nova plataforma.
Formato e estrutura dos teleatendimentos
Cada ciclo de atendimento consiste em até dez consultas semanais, com duração de 50 minutos cada, realizadas por videochamada. Ao término do ciclo, o profissional pode indicar a renovação do atendimento ou encaminhamento para consulta presencial, conforme a necessidade do paciente.
Para viabilizar a expansão, o governo contratou os serviços por consulta, com previsão de até 10 milhões de atendimentos divididos em cinco lotes. Já foram investidos R$ 46 milhões para a aquisição inicial de dois milhões de teleatendimentos.
Integração com a Rede de Atenção Psicossocial
O programa inclui a estruturação de um sistema de navegação do cuidado para conectar os atendimentos online com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) dos municípios. A AgSUS contratará profissionais especializados em saúde mental e enfermagem para atuar como navegadores, auxiliando na condução dos pacientes para atendimentos presenciais nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Após o ciclo inicial, o navegador ajudará a desenvolver um Projeto Terapêutico Singular alinhado ao território de referência, garantindo continuidade do cuidado. O Ministério da Saúde também ampliou as equipes multiprofissionais na atenção primária para ampliar a capacidade de atendimento.
Perfil dos usuários e aumento dos diagnósticos
Dados do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas indicam que metade das pessoas que buscaram o tratamento online são mulheres, 27% têm entre 30 e 34 anos, e 47% possuem renda de até três salários mínimos. O Ministério da Saúde registrou um aumento superior a 600% nos diagnósticos de problemas relacionados a jogos e apostas na atenção primária nos últimos anos.
Busca ativa e integração de dados para prevenção
O governo planeja implementar uma busca ativa dos indivíduos cadastrados na Plataforma Nacional de Autoexclusão, lançada pelo Ministério da Fazenda para restringir o acesso a casas de apostas autorizadas. Mais de um milhão de pessoas já utilizaram essa plataforma, sendo que 35% acionaram o recurso por perda de controle sobre as apostas.
Durante a Copa do Mundo, 387 mil pessoas solicitaram o bloqueio de acesso, representando 38% de todas as autoexclusões registradas. A integração de dados entre ministérios permitirá a coleta de informações detalhadas, como frequência de apostas, reincidência e localização dos usuários, para subsidiar políticas públicas mais eficazes.
O que isso muda na prática para profissionais de saúde
A ampliação dos teleatendimentos no SUS cria uma nova porta de entrada para o cuidado de pessoas com dependência em jogos e apostas, facilitando o acesso ao tratamento psicológico. A integração com a Rede de Atenção Psicossocial e a atuação dos navegadores do cuidado promovem a continuidade terapêutica entre o atendimento online e os serviços presenciais.
Profissionais da atenção primária devem estar preparados para receber encaminhamentos desses pacientes e atuar em conjunto com equipes multiprofissionais ampliadas para oferecer suporte adequado. A busca ativa e o uso de dados integrados também podem auxiliar na identificação precoce e no direcionamento dos usuários para o tratamento, fortalecendo a rede de cuidado e prevenção.
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Fonte: SUS amplia teleatendimentos para dependência em jogos e apostas (Futuro da Saúde, 04/08/2026)
Imagem: Futuro da Saúde
Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Ele não substitui a avaliação de um profissional de saúde nem estabelece conduta clínica.


