Parceria entre Marinha, universidades e Fleury cria inovação para detectar rabdomiólise

Parceria entre Marinha, universidades e Fleury cria inovação para detectar rabdomiólise

Uma parceria entre a Marinha do Brasil, universidades e o Grupo Fleury resultou no desenvolvimento de uma tecnologia inovadora para identificar precocemente a rabdomiólise por esforço, uma síndrome causada pela intensa destruição muscular que pode evoluir para lesão renal aguda.

Origem militar do desafio e pesquisa científica

O projeto teve origem em um desafio enfrentado pela Marinha durante treinamentos militares de alta intensidade, nos quais a rabdomiólise por esforço se mostrou um problema para os militares. Para buscar soluções, a capitão de fragata Andreia Carneiro da Silva desenvolveu uma pesquisa durante seu doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acompanhando os treinamentos e coletando amostras biológicas.

Em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), essas amostras foram analisadas por técnicas de proteômica, o que permitiu a identificação de novos biomarcadores associados à lesão renal causada pelo esforço físico intenso, resultando no depósito de uma patente.

Ampliação da parceria e papel do Grupo Fleury

Com o avanço da pesquisa, o projeto passou a incluir a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Grupo Fleury. Segundo a coordenadora do projeto, a capitão Andreia Carneiro da Silva, a colaboração reuniu competências complementares para acelerar o desenvolvimento científico, formando uma “tripla hélice” entre Marinha, universidades e iniciativa privada.

O Grupo Fleury entrou para dar escala ao projeto, adaptando sua plataforma de proteômica para análise de urina, automatizando etapas do preparo das amostras e incorporando ferramentas de inteligência artificial para interpretar o grande volume de dados gerado. Isso permitiu identificar, entre milhares de proteínas, aquelas associadas à lesão renal precoce, antes do aparecimento dos sinais clínicos evidentes.

Vantagens do uso da urina e acompanhamento longitudinal

A escolha da urina como material para análise está ligada às condições dos treinamentos militares, que ocorrem em regiões como Pantanal e Amazônia, onde coletar e transportar sangue é difícil. A urina é uma amostra não invasiva e de fácil obtenção, o que possibilita coletas em diferentes momentos do treinamento.

O acompanhamento longitudinal dos militares, avaliados antes, durante e após o esforço físico intenso, permite comparar alterações em cada indivíduo ao longo do tempo, reduzindo variáveis que poderiam interferir nos resultados. Mais de 200 amostras foram analisadas durante diferentes treinamentos e missões da Marinha.

Potencial de aplicação além do ambiente militar

Embora tenha surgido para atender a uma necessidade operacional da Marinha, o projeto extrapolou o ambiente militar. A pesquisa resultou na publicação de um artigo científico e no depósito de uma patente. Financiada por órgãos públicos, a iniciativa busca transformar os achados em uma tecnologia que possa ser utilizada em atividades esportivas e outras profissões submetidas a esforço físico intenso.

Os pesquisadores trabalham para desenvolver um dispositivo portátil, de fácil operação, capaz de fornecer respostas rápidas em locais onde exames convencionais são inviáveis, com objetivo de ampliar a possibilidade de intervenções rápidas e reduzir riscos de complicações.

O que isso muda na prática para profissionais de saúde

Essa inovação traz a possibilidade de diagnóstico precoce da rabdomiólise por esforço, condição que atualmente depende de exames laboratoriais convencionais e marcadores pouco específicos, muitas vezes detectados quando o dano muscular e a lesão renal já estão em evolução. Com a identificação antecipada, pode haver maior oportunidade para intervenções rápidas, o que pode melhorar o manejo clínico de pacientes submetidos a esforço físico intenso.

Além disso, a infraestrutura e a metodologia desenvolvidas podem ser aplicadas na identificação de biomarcadores para outras doenças e condições clínicas, ampliando o potencial de uso da proteômica e da inteligência artificial na prática diagnóstica.

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Fonte: Como uma parceria entre Marinha, universidades e Fleury transformou um desafio militar em inovação em saúde (Futuro da Saúde, 05/08/2026)

Imagem: Futuro da Saúde

Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Ele não substitui a avaliação de um profissional de saúde nem estabelece conduta clínica.

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