Instituto Ética Saúde identifica 49 práticas antiéticas no setor de saúde

Instituto Ética Saúde identifica 49 práticas antiéticas no setor de saúde

Um estudo coordenado pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com o Grupo de Pesquisa Contratações Públicas da PUC-SP, identificou 49 práticas antiéticas presentes na cadeia da saúde brasileira. Além disso, o levantamento propôs um sistema estruturado de classificação dessas condutas para orientar programas de integridade, compliance, gestão de riscos e políticas públicas.

Levantamento e metodologia do estudo

Resultado de uma década de análises, registros institucionais, estudos, casos concretos e denúncias acompanhados pelo Instituto Ética Saúde, o estudo buscou compreender como as práticas antiéticas se manifestam, quais ambientes institucionais são mais vulneráveis e de que forma comprometem a concorrência, elevam custos assistenciais, reduzem a eficiência dos investimentos públicos e privados e podem afetar a qualidade da assistência aos pacientes.

O trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica exploratória, análise jurídica e sistematização da experiência acumulada pelo Instituto entre 2015 e 2025. Foram reunidos registros institucionais, casos concretos, denúncias, informações de acordos de cooperação e análises técnicas produzidas ao longo de dez anos.

Classificação das práticas e principais categorias

O estudo organizou as 49 práticas antiéticas em dez grandes categorias temáticas, criando uma linguagem comum para sua identificação, análise e prevenção. O sistema de classificação facilita a identificação de padrões de comportamento, estabelece critérios para avaliação de riscos e apoia estratégias de prevenção em diferentes segmentos da cadeia da saúde.

O ranking das categorias é liderado por Poder Público e Saúde Suplementar, com nove práticas cada. Em seguida aparecem Conflito de Interesses (oito práticas); Regulatório/Sanitário (quatro); Faturamento/Tributário, Ética Profissional, Fraudes Administrativas e Organizações Sociais (três práticas cada); e Segurança Assistencial e Dados/Inteligência Artificial (duas práticas cada).

O estudo ressalta que a classificação não representa uma escala de gravidade, mas um instrumento para identificar áreas com maior diversidade de práticas antiéticas e orientar ações de prevenção e compliance.

Principais práticas antiéticas identificadas

Entre as práticas listadas estão fraudes em licitações, direcionamento de editais, pagamento de vantagens indevidas, conflitos de interesse, glosas abusivas, negativas de cobertura por planos de saúde, desvio de recursos públicos, reprocessamento irregular de materiais descartáveis, comercialização de produtos sem registro sanitário e uso inadequado de dados e inteligência artificial.

Outras condutas incluem cartel e combinação de preços, falsificação de produtos para saúde, fraudes em contratos públicos, nepotismo, contratação direta irregular, cobranças indevidas, litígios de má-fé, atos mercantilistas praticados por médicos, abuso assistencial, venda irregular de medicamentos, entre outras.

Implicações para o setor e uso do sistema de classificação

Segundo os autores, as práticas antiéticas raramente ocorrem isoladamente e estão associadas a fragilidades de governança, falhas de controle, conflitos de interesse e incentivos econômicos inadequados. Esses fatores criam um ambiente propício para desvios que comprometem a eficiência dos serviços e a confiança nas instituições.

O presidente executivo do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, destaca que o estudo oferece um instrumento prático para que organizações públicas e privadas identifiquem vulnerabilidades antes que se tornem problemas maiores. Ele ressalta a importância de compreender como e onde essas condutas ocorrem para fortalecer programas de integridade e estimular uma cultura de prevenção.

O sistema de classificação também permite estabelecer critérios objetivos para avaliação de riscos, definição de prioridades de monitoramento e desenvolvimento de ações preventivas adaptadas às características de cada organização. Além disso, foi concebido para atualização contínua, incorporando novas práticas à medida que surgem mudanças nas relações institucionais, tecnologias e modelos de contratação.

O que isso muda na prática para o setor de saúde

Para profissionais e gestores da saúde, o estudo do Instituto Ética Saúde oferece uma base técnica para fortalecer mecanismos de governança, compliance e auditoria. A classificação padronizada das práticas antiéticas facilita a identificação precoce de riscos e a implementação de ações preventivas, reduzindo prejuízos financeiros, assistenciais e reputacionais.

O modelo também pode subsidiar órgãos reguladores, corregedorias e departamentos jurídicos na definição de políticas públicas e estratégias de controle mais eficazes. Com a digitalização dos serviços e o uso crescente de inteligência artificial, a ferramenta ganha relevância para acompanhar as transformações do setor e garantir maior integridade nas relações institucionais.

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Fonte: Instituto Ética Saúde identifica 49 práticas antiéticas no setor (Medicina S/A, 04/08/2026)

Imagem: Medicina S/A

Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Ele não substitui a avaliação de um profissional de saúde nem estabelece conduta clínica.

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