Brasil registra quase 80 mil procedimentos de congelamento de óvulos nos últimos seis anos

Brasil registra quase 80 mil procedimentos de congelamento de óvulos nos últimos seis anos

Aumento expressivo no congelamento de óvulos no Brasil

O Brasil registrou quase 80 mil procedimentos de congelamento de óvulos nos últimos seis anos, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Entre 2020 e 2025, o número de ciclos de coleta para congelamento saltou de 7.872 para 18.631, um crescimento de 136,7%, com taxa média anual de 18,8%.

Contexto social e mudanças no perfil materno

O aumento do congelamento de óvulos acompanha a tendência de adiamento da maternidade no país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de mulheres com 30 anos ou mais que tiveram o primeiro filho passou de 22% nos anos 2000 para 39% em 2022. Mulheres entre 30 e 39 anos representam 34,5% das mães em 2022, enquanto as com 40 anos ou mais subiram de 2% para 4,2% no mesmo período.

Fatores que impulsionam a preservação da fertilidade

Segundo a ginecologista e especialista em reprodução humana da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), Mylena Naves Rocha, o principal motivo para o aumento da procura pelo congelamento de óvulos é o adiamento da maternidade por razões profissionais, acadêmicas, financeiras e pessoais. Além disso, a maior conscientização sobre fertilidade, resultado do trabalho de educação de especialistas e sociedades científicas, contribui para essa mudança de comportamento.

Idade ideal e indicações clínicas para o congelamento

A idade no momento do congelamento é fundamental para o prognóstico reprodutivo. O potencial reprodutivo feminino diminui significativamente após os 35 anos, tornando ideal a realização do procedimento antes dessa idade, preferencialmente por volta dos 30 anos. Mulheres acima dos 35 anos podem realizar o procedimento, mas devem ser orientadas sobre as chances reais e a possível necessidade de múltiplas coletas.

Além do planejamento reprodutivo, o congelamento de óvulos é indicado clinicamente em casos como falência ovariana prematura, diagnóstico oncológico antes de tratamentos gonadotóxicos e endometriose com acometimento ovariano. Nesses casos, o procedimento pode ser urgente para preservar a fertilidade da paciente.

O que isso muda na prática para profissionais de saúde

Para quem atua na área de saúde, esses dados reforçam a importância de orientar mulheres sobre a preservação da fertilidade, especialmente aquelas que planejam adiar a maternidade. A avaliação da reserva ovariana e o encaminhamento para especialistas em reprodução assistida são essenciais para oferecer opções adequadas. Além disso, a indicação do congelamento deve ser individualizada, considerando idade, condições clínicas e expectativas reprodutivas.

O avanço das técnicas de vitrificação tornou o congelamento de óvulos uma estratégia segura e eficaz, com armazenamento por tempo indeterminado sem perda da qualidade dos óvulos. Isso amplia as possibilidades para mulheres que desejam postergar a gravidez, mas desejam preservar suas chances futuras de concepção.

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Fonte: Brasil registrou quase 80 mil procedimentos de congelamento de óvulos nos últimos seis anos (Medicina S/A, 04/08/2026)

Imagem: Medicina S/A

Este conteúdo tem caráter informativo e jornalístico. Ele não substitui a avaliação de um profissional de saúde nem estabelece conduta clínica.

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