Este guia mostra de forma clara e prática como médicos podem utilizar selfies e repostar elogios de pacientes nas redes sociais com ética e sem sensacionalismo, conforme a Resolução CFM 2.336/2023 e o Manual de Aplicação Prática (Capítulo VII). Aqui você encontrará orientações específicas para evitar infrações, preservar a imagem profissional e manter a confiança dos pacientes.
Permissão para selfies e autorretratos
A Resolução CFM 2.336/2023 autoriza o uso de autorretratos (selfies), imagens e áudios nas redes sociais próprias do médico, desde que não contenham elementos sensacionalistas ou promovam concorrência desleal. Essa permissão aplica-se tanto a perfis pessoais quanto profissionais, quando abordam temas médicos ou relacionados à prática clínica (publicidademedica.cfm.org.br).
Por exemplo, um médico pode postar uma selfie no consultório com legenda sobre o início do dia de atendimentos, desde que o texto seja sóbrio e informativo, sem superlativos ou comparações com outros profissionais. Já uma imagem com legenda como “o melhor médico da cidade” seria considerada sensacionalista e vedada.
Em uma clínica de dermatologia, por exemplo, o médico pode compartilhar uma foto sua com equipamentos ou ambiente clínico, destacando o compromisso com a qualidade do atendimento, sem exageros. O foco deve ser informativo, não promocional.
Esse tipo de publicação reforça a proximidade com o público, humaniza o profissional e valoriza a transparência, desde que respeitados os limites éticos definidos pelo CFM.
Repostagem de elogios de pacientes com moderação
O Manual de Aplicação Prática (Capítulo VII) permite que médicos repostem elogios feitos por pacientes em redes sociais, desde que não o façam de forma reiterada — definido como mais de duas vezes por semestre — e sem sensacionalismo (publicidademedica.cfm.org.br).
Por exemplo, uma clínica de oftalmologia pode repostar um depoimento de paciente agradecendo pelo atendimento, mas deve evitar repetir esse tipo de postagem com frequência. Se forem repostados três ou mais elogios em seis meses, isso pode ser interpretado como autopromoção e investigado pela Codame.
Além disso, o conteúdo repostado deve ser sóbrio, evitando adjetivos que denotem superioridade ou prometam resultados extraordinários. Um depoimento simples como “gratidão pelo cuidado dedicado” é adequado; já “o melhor médico do universo” seria inadequado.
Essa moderação protege a credibilidade do profissional e evita que a comunicação seja vista como marketing exagerado.
Organize a próxima pauta médica.
MATERIAL GRATUITO
Kit de Conteúdo Médico
Guia prático, calendário editável com 30 pautas, 12 prompts e checklist de revisão.
Consentimento, anonimato e privacidade
Mesmo ao repostar elogios, o médico deve garantir que haja consentimento expresso do paciente para uso da imagem ou depoimento, conforme previsto no Capítulo IX da Resolução Comentada (publicidademedica.cfm.org.br).
É essencial preservar o anonimato do paciente: não devem ser divulgados nomes, dados pessoais ou qualquer elemento que permita sua identificação. Em uma clínica de cardiologia, por exemplo, ao repostar um depoimento, o médico pode usar apenas as iniciais do paciente e omitir detalhes que permitam reconhecê-lo.
Além disso, é necessário respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), evitando expor informações sensíveis. O consentimento deve ser documentado, com finalidade clara e possibilidade de revogação.
Essas medidas protegem tanto o paciente quanto o médico, fortalecendo a confiança e evitando riscos éticos e legais.
Erros comuns e como evitá-los
Um erro frequente é repostar elogios com linguagem exagerada ou adjetivos como “o melhor” ou “único”, o que caracteriza sensacionalismo. Evite esse tipo de expressão.
Outro equívoco é repostar com frequência excessiva — mais de duas vezes por semestre — o que pode configurar prática reiterada e ser investigado pela Codame (publicidademedica.cfm.org.br).
Também é comum esquecer de obter consentimento formal do paciente ou expor elementos que permitam sua identificação. Para evitar isso, crie um procedimento padrão na clínica: sempre solicitar autorização por escrito, revisar o conteúdo antes da publicação e garantir anonimato.
Por fim, não confunda redes pessoais com profissionais. Mesmo em perfis pessoais, se o conteúdo aborda medicina, aplica-se a mesma regra: sóbriedade, consentimento e moderação.
Procedimento aplicável na clínica
Para aplicar essas diretrizes, a clínica pode adotar um fluxo simples:
- Solicitar consentimento por escrito ao paciente para repostagem de depoimento ou imagem.
- Revisar o conteúdo para garantir linguagem sóbria e ausência de sensacionalismo.
- Limitar repostagens a no máximo duas por semestre.
- Garantir anonimato e conformidade com LGPD.
- Registrar cada repostagem em planilha de controle, com data, conteúdo e autorização.
Por exemplo, em uma clínica de endocrinologia, o responsável pelo marketing pode manter um registro com data da postagem, trecho do depoimento, confirmação de consentimento e revisão ética. Isso facilita auditoria interna e demonstra diligência em caso de fiscalização.
Esse procedimento ajuda a manter a comunicação alinhada com as normas, protege a reputação da clínica e fortalece a confiança dos pacientes.
Plano de ação para sua clínica
- Criar e formalizar um modelo de termo de consentimento por escrito para uso de depoimentos ou imagens de pacientes, com finalidade clara e possibilidade de revogação, e treinar equipe administrativa para aplicá-lo.
- Estabelecer um calendário semestral de repostagens, com limite máximo de duas, e designar um responsável para revisar linguagem e evitar sensacionalismo antes da publicação.
- Manter planilha de controle com data, conteúdo repostado, consentimento obtido e revisão ética, para auditoria interna e eventual fiscalização.
- Definir padrão de anonimização de depoimentos (como uso de iniciais ou pseudônimos) e revisar cada conteúdo para garantir conformidade com LGPD.
- Treinar equipe de comunicação sobre as regras da Resolução CFM 2.336/2023, incluindo consentimento, moderação e identificação, e revisar periodicamente as práticas adotadas.
FAQ e próximos passos
É preciso identificar o médico na selfie?
Se a selfie aborda temas médicos ou mostra ambiente clínico, o médico deve estar identificado no perfil conforme a Resolução, com nome e CRM na bio ou na publicação, conforme contexto.
Posso repostar depoimentos de pacientes sem consentimento formal?
Não. É obrigatório obter consentimento expresso por escrito, com finalidade clara e possibilidade de revogação.
O que fazer se ultrapassar o limite de repostagens?
Se ultrapassar duas repostagens por semestre, suspenda novas repostagens até o próximo período e revise o conteúdo para evitar sensacionalismo. Documente o ocorrido para eventual fiscalização.
Próximo passo: implemente o procedimento interno de consentimento e controle de repostagens, treine a equipe e revise o calendário de publicações para garantir conformidade contínua.
Conteúdo da Redação Doctor Creator, conforme nossa política editorial. Capa ilustrativa produzida com IA.


